Eletrificar uma frota não começa na compra dos veículos — começa na garagem. Sem infraestrutura de recarga bem dimensionada, o carro elétrico fica parado esperando bateria, e a operação sente. Este roteiro ajuda gestores de frota a planejar a recarga antes de o primeiro veículo chegar.
1. Entenda a rotina de cada veículo
O ponto de partida é a operação, não o carregador. Para cada tipo de veículo, levante:
- quilometragem diária média e o pior dia da semana;
- horário de saída e de retorno à base;
- tempo parado durante o expediente (almoço, carga e descarga, trocas de turno);
- se o veículo volta todo dia para a mesma base.
Com esses dados, dá para calcular quanta energia cada veículo precisa repor por dia — normalmente entre 15 e 30 kWh para carros e vans urbanas, dependendo do modelo e do percurso.
2. Escolha entre AC e DC pela janela de tempo
A regra prática é simples:
- Veículo parado a noite toda (8 h ou mais) → wallbox AC de 7 kW resolve com folga. Repor 25 kWh leva cerca de 4 horas.
- Veículo que roda em dois ou três turnos → é preciso recarga rápida DC entre os turnos. Um carregador de 60 ou 80 kW repõe a mesma energia em 20 a 30 minutos, dentro do limite que o veículo aceita.
- Frota mista → combinação dos dois: wallbox para a recarga noturna e um carregador DC como “pulmão” para os dias de pico.
3. Quantos pontos de recarga?
Nem sempre é um carregador por veículo. Em frotas que carregam à noite, vale considerar:
- wallbox de duas pistolas (como a Wallbox Duo 14), que atende duas vagas com um único equipamento;
- gerenciamento de carga, que distribui a potência disponível entre os carregadores e evita ultrapassar a demanda contratada;
- escalonamento de horários, com parte da frota carregando no início da noite e parte de madrugada.
4. Verifique a capacidade elétrica da base
Esse é o ponto que mais pesa no orçamento. Antes de definir a quantidade de carregadores, é preciso avaliar:
- a demanda contratada e a capacidade do transformador ou do padrão de entrada;
- se haverá necessidade de aumento de carga junto à distribuidora (o processo pode levar semanas);
- o trajeto dos cabos até as vagas e a proteção dos circuitos.
Planejar a infraestrutura para o tamanho final da frota — mesmo instalando os carregadores aos poucos — evita refazer obras elétricas a cada nova leva de veículos.
5. Gestão e controle
Em frota, saber quanto cada veículo consumiu é tão importante quanto carregar. Carregadores com identificação por cartão RFID e comunicação com plataformas de gestão permitem:
- registrar a energia usada por veículo ou motorista;
- liberar a recarga só para veículos autorizados;
- acompanhar o histórico e identificar falhas rapidamente.
Resumo
- Comece pela rotina dos veículos, não pelo equipamento.
- Use AC para recargas longas e DC para quem roda em turnos.
- Considere pistolas duplas e gerenciamento de carga.
- Avalie a rede elétrica da base para o tamanho final da frota.
- Escolha carregadores com identificação e gestão.
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